ARTIGO DE OPINIÃO – 19ª Edição da parada gay quebra ausência de discussões.

19ª Edição da parada gay quebra ausência de discussões significativas em edições anteriores e em pleno 2015 serve como diagnóstico do nível medieval da sociedade cristã, hipócrita e egoísta que se manifesta com violência contra a diversidade.

Por Daniel Serafim

Viviany Beleboni, 26 anos, artista transexual, crucificada em cima de trio elétrico durante a 19ª edição da parada gay, no último Domingo, fazendo referência ao preconceito que mata no Brasil e que tem na religião seu alimento.

Viviany Beleboni, 26 anos, artista transexual, crucificada em cima de trio elétrico durante a 19ª edição da parada gay, no último Domingo, fazendo referência ao preconceito que mata no Brasil e que tem na religião seu alimento.

Na projeção da obra artística da transexual e atriz Viviany Beleboni, 26 anos, que se serve do imaginário da crucificação cristã, o momento ápice de toda religião advinda do cristianismo, uma única inspiração movimentou o resultado final do trabalho: as mortes e agressões contra gays, lesbicas, bissexuais e transexuais que acontecem no Brasil e que tornam o país líder mundial de assassinatos e agressões contra a diversidade. Mas por que um símbolo cristão? Justamente. Um país, o mais preconceituoso, tem suas travas, que o impedem no avanço, mas o mais hediondo é que ainda se viva tamanha violência contra direitos e que a mesma seja alimentada pelo preconceito. O Brasil é submisso religioso, religião que opina também em políticas públicas com moralismo e hipocrisia monstruosos, além de se viver o radicalismo do machismo, que movimenta, por exemplo, o futebol e suas torcidas. A religião é enfim o motivo maior, é pura e tão somente ela que nos últimos anos vem fazendo o discurso de ódio contra homossexuais e, acredite, se o Brasil é o maior assassino de gays e trans, justamente é por causa da frieza, da insensibilidade e da intolerância religiosa. Por isso no uso do símbolo religioso Viviany faz um protesto que precisa mesmo chocar, ela está lá sendo crucificada, com todas as vítimas que diariamente são crucificadas em toda a extensão do país. Em menos de 24 horas o tribunal das redes sociais desenhou a miséria que alimenta o país capaz de viver 16 anos de um mesmo governo que, diga-se de passagem, vive da compra e venda suja, ou seja, que moral teria essa mesma sociedade? O pastor Silas Malafaia, Marco Feliciano e a psicóloga gospel que “cura” gays, Marisa Lobo, riscaram um fósforo e atearam fogo sobre toda a comunidade LGBT. Do futebol, vários exemplos, mas só para citar um, o ex-jogador do flamengo Léo Moura disse “Que tristeza ver essa imagem! O que Jesus tem com isso?”. É só no Brasil, país déficit na educação e na igualdade (distribuição de renda), que membros religiosos e outras pessoas conseguem influenciar a opinião pública e política, alias, é só aqui que essa turma tem tanto moral; quanto mais se veem pastores na Tv, canais de Tv gospel e padres cantando e fazendo shows, tanto mais reina a ignorância do povo. O resultado disso? Exatamente essa situação aqui: “O Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes motivados pela homo/transfobia: segundo agências internacionais, 50% dos assassinatos de transexuais no ano passado foram cometidos em nosso país.

Dos 326 mortos, 163 eram gays, 134 travestis, 14 lésbicas, 3 bissexuais e 7 amantes de travestis (T-lovers). Foram igualmente assassinados 7 heterossexuais, por terem sido confundidos com gays ou por estarem em circunstâncias ou espaços homoeróticos. Em números absolutos, os estados onde mais LGBT foram assassinados foram São Paulo (50) e Minas Gerais (30), porém em termos relativos, Paraíba e Piauí e suas respectivas capitais, são os locais que oferecem maior risco aos LGBT de serem violentamente mortos: enquanto no Brasil como um todo, os LGBT assassinados representam 1,6 de cada um milhão de habitantes, na Paraíba esse risco sobe para 4,5 e 4,1 para o Piauí. Durante décadas, o Nordeste foi à região de maior incidência de crimes homofóbicos: pela primeira vez em 2014, o Centro-Oeste emerge como a região geográfica mais intolerante, com 2,9 de “homocídios” para cada 1 milhão de habitantes, seguido do Nordeste (2,1), Norte (1,5), Sudeste (1,2) e Sul – a região menos violenta, com 0,7 mortes. São Paulo e Goiás foram os estados que revelaram o maior aumento destes crimes, respectivamente de 29 para 50 e de 10 para 21, enquanto Pernambuco e Rio Grande do Sul diminuíram. No Centro Oeste, o Mato Grosso do Sul foi o estado mais violento, (3,8 por milhão de habitantes) e o Distrito Federal, o que registrou proporcionalmente menor número de sinistros (1,0)”. Esses dados estão disponíveis no site do GGB (Grupo Gay da Bahia), praticamente o único órgão sério no país e de alcance internacional que monitora a comunidade LGBT. Parece mentira? Mas não é. De forma alguma a imagem da transexual Viviany Beleboni crucificada em cima de um trio elétrico na Paulista, durante a parada gay no último Domingo, deveria causar ódio e repúdio, mas sim dor e comoção, além de vergonha. O jornalista que escreve essa matéria, por exemplo, se sente extremamente triste em presenciar em sua própria rede social tantas manifestações de moralistas religiosos taxando expressões artísticas e críticas como as de Viviany uma “ofensa” a “família” e\ou a religião. Engraçado é que nunca se vê essas mesmas pessoas fazendo uma publicação sequer em suas redes com uma frase tão simples como “diga não ao preconceito” ou mesmo expressando as suas tristezas pelo assassinato de tantos gays e trans. Vai ver nem mesmo elas sabiam que se morre tanta gente, porém para defender a religião e o seu time de futebol, estão todas lá, mas é aquela velha história, o problema do outro não é o meu problema, isso me dá o “direito” de ser inerente, de virar as costas e ignorar. Engraçado mesmo é pensar na hipocrisia, na quantidade de homens casados com mulheres, que na primeira oportunidade colocam um gay dentro do seu carro para ter relação ou, por exemplo, aqui em Itatiba, dão uma voltinha no bairro “Deluca”. Não preciso falar mais nada. É como diz a artista travesti Michelly Summer e com muita ironia: “Quem banca a trans na rua? A própria sociedade. Meu amor, bronzeamento artificial, colocar prótese de silicone, uma cirurgia no nariz, diminuir o gogó, diminuir a cabeça, diminuir os pés, mudar de sexo, enfim, tudo isso com o dinheiro de quem? Da sociedade. Com o dinheiro do pai de família que dá o truque para a esposa dizendo assim ‘eu vou no culto ali e já volto’ (e trai ela com o gay ou a trans)!” Enfim, que cada um possa refletir.

"Em 17/09/14  o corpo de Wanderson Silva, de 17 anos,  vítima da violência e preconceito, foi encontrado jogado em um matagal, próximo a Ponte do Baralho, em Bayeux (Paraíba), com um tiro na cabeça e marcas de espancamento"

“Em 17/09/14 o corpo de Wanderson Silva, de 17 anos, vítima da violência e preconceito, foi encontrado jogado em um matagal, próximo a Ponte do Baralho, em Bayeux (Paraíba), com um tiro na cabeça e marcas de espancamento”

Daniel Serafim – Jornalista – RG: 40137810-X

Link do relatório da GGB: http://grupogaydabahia.com.br/
Link da reportagem do correio da Bahia: http://www.correio24horas.com.br/


 

 

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