Bandidos migram para cidades da região

Considerada um oásis de tranquilidade em meio a violência que afeta as grandes cidades, pequenos e médios municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) registram um aumento de crimes como explosão de caixas eletrônicos, roubo de carga, tráfico de entorpecentes e crimes contra o patrimônio (furtos, roubos, receptação). Para especialistas, a expansão é resultado da migração de criminosos, que mudam de região após o endurecimento das forças de segurança.

A primeira onda de migração, ocorrida há alguns anos, partiu São Paulo e migrou para Campinas e Baixada Santista. Agora, criminosos saíram desses lugares e vieram para cidades pequenas e médias da região. A situação evidencia a necessidade de um plano de segurança metropolitano integrando toda a RMC.
Falta plano
“Não há um plano estratégico integrado que englobe todos os municípios da região. Essa é uma das grandes falhas que temos no sistema de segurança. Um dos instrumentos para melhorar o trabalho da Polícia é o planejamento, mas infelizmente não temos esse trabalho integrado”, analisa o especialista em

Foto: Arquivo pessoal

José Vicente da Silva Filho, coronel da PM reformado e especialista em Segurança Pública

José Vicente da Silva Filho, coronel da PM reformado e especialista em Segurança Pública

Segurança Pública e coronel reformado José Vicente da Silva Filho. Ele, no entanto, prefere utilizar a expressão “circulação de criminosos” ou invés de migração. “A maioria desses bandidos são residentes das cidades vizinhas.

Então o que acontece é uma circulação de criminosos, e algumas modalidades de crimes são mais propícias a isso, como é o caso de ataque a caixa eletrônico, furtos e roubos de veículos”, acrescenta o coronel. Os crimes citados pelo especialista tiveram aumento em praticamente todas as cidades da RMC. Os furtos de veículos cresceram em 14 cidades da região na comparação de 2012 com 2013.
Aumento
Em Itatiba, por exemplo, as ocorrências dessa natureza aumentaram 54,6%, saltando de 135 para 208 ocorrências. Em Nova Odessa o aumento foi ainda maior e passaram de 172 para 268 casos, uma expansão de 61,6%. Os roubos de carga também tiveram grande crescimento e avançaram em 13 cidades. Em Indaiatuba, foram oito ocorrências no ano passado, contra apenas uma em 2012. Já Itatiba registrou de 9 casos em 2012 e 14 no ano passado. Outro crime que migrou para cidades menores foram as explosões de caixas eletrônicos. Na madrugada do dia 9 de fevereiro, três equipamentos foram explodidos em Itatiba.
Nem a pequena Morungaba, cidade com 12 mil habitantes e caçula da RMC, escapou desse tipo de crime. No início de janeiro uma agência do banco do Brasil no Centro da cidade foi alvo de criminosos.
Foto: Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Morungaba quer melhorar a segurança e incentivar o turismo rural com a entrada na RMC

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Pouca segurança
“O que a gente percebe é que pequenas cidades são conhecidas como locais de pouca segurança. A tranquilidade que antes era positiva, tornou-se vulnerável. A polícia no Interior está sucateada e os bandidos começaram a perceber isso. Crimes como roubos a residência e explosão de caixas eletrônicos são feitos por causa da segurança pífia do interior. Essa é a realidade”, explicou um delegado da Polícia Civil sob condição de anonimato.
Segundo ele, é necessário aumentar o efetivo e ampliar o trabalho de inteligência da corporação. “Falta um trabalho de inteligência mais apurado para prender esses criminosos. Mas não adianta fazer isso se não tiver aumento no efetivo policial. É preciso também fazer bloqueios nas estradas”, completou.
Judiciário
Para o especialista em análise de violência urbana da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Lauro Luiz Francisco Filho, o fenômeno não é exclusivo da região. “Isso tem acontecido em todas as grandes regiões. Quando a polícia aperta o cerco na região de São Paulo, por exemplo, eles migram para áreas onde vão encontrar o mesmo produto e segurança menor. A Polícia tem que trabalhar para desmontar as quadrilhas, não adianta reprimir na rua”, afirma o especialista.
“Outro problema é o sistema judiciário. Muitos dos crimes tem menores envolvidos. A Polícia pega, mas não tem como ficar preso”, finaliza.
Em nota, o Comando de Policiamento do Interior da Polícia Militar (CPI-2), responsável pela segurança ostensiva da região de Campinas, afirma que realiza o patrulhamento de acordo com as estatísticas de criminalidade, e diz que pratica várias operações para combater a criminalidade.

Poder aquisitivo
O delegado titular da Polícia Civil em Itatiba, Paulo Eduardo Zuiani, acredita que o aumento de 60,3% nos crimes contra o patrimônio na cidade em janeiro deste ano, comparado com o ano passado, é resultado da migração de criminosos. Com 103.037 habitantes, Itatiba está localizada entre Campinas e a Grande São Paulo, numa região de condomínios e população de bom poder aquisitivo, o que atrai os bandidos.
Foto: Leandro Ferreira/AAN

Condomínios na região mostram alto poder aquisitivo da população

Condomínios na região mostram alto poder aquisitivo da população
Zuiani acredita, no entanto, que os números de fevereiro serão melhores. “Fizemos ações conjuntas com a Polícia Militar e a Guarda Municipal que certamente refletirão nos índices. Tenho agora sobre a mesa imagens de uma quadrilha cujos integrantes serão presos a qualquer momento.” Segundo ele, as câmeras de monitoramento espalhadas pela cidade gravaram ladrões de veículos e outros bandidos em ação.
Repressão
O comandante da Guarda Municipal (GM), José Carlos Baessa, disse que a produtividade das forças de segurança aumentou 30% em janeiro deste ano, comparado com 2013. “Se considerarmos apenas o número de veículos recuperados, o aumento é de 170%”, disse. A GM tem 78 homens que atuam armados, colaborando com as forças de segurança. Baessa disse que, além de estar entre Campinas e a capital, a cidade é cortada pela rodovia D.Pedro I, acesso ao Rio de Janeiro e Vale do Paraíba. “Entre os diversos marginais presos no município, boa parte é oriunda dessas regiões”, afirmou.
Para o comerciante Tiago Delagnello, dono de uma loja de roupas, o aumento na criminalidade já repercute no custo de vida da população. “O seguro da atividade comercial e dos veículos está ficando proibitivo, mas sem seguro não dá para trabalhar.” A publicitária Marina Escobar, que se mudou de São Paulo em busca de segurança, disse que a cidade não é sossegada como parecia. “Tem até tiroteio nas ruas.”
Em abril do ano passado, um bando armado invadiu a cidade, rendeu seguranças e assaltou duas joalherias no interior de um shopping. Perseguidos pela polícia, os bandidos reagiram e trocaram tiros com os policiais em plena região central. Um ladrão foi morto e um policial ficou ferido. De acordo com a Polícia Civil, a quadrilha com seis integrantes era da Baixada Santista.
Foto: Captura de vídeo/Sistema de segurança

Câmeras de segurança filmaram o assalto a joalheria do shopping

Câmeras de segurança filmaram o assalto a joalheria do shopping
Vigilância eletrônica
Seis cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) – Indaiatuba, Jaguariúna, Nova Odessa, Vinhedo, Itatiba, Monte Mor – estão interligadas por câmeras de monitoramento a fim de promover a comunicação entre as guardas destes municípios para auxiliar na redução da criminalidade. A integração ocorre na Central Regional de Inteligência e Monitoramento (Crim), localizada em Indaiatuba.
Além de filmar e flagrar crimes, principalmente aqueles que envolvem veículos, as câmeras inteligentes podem identificar placas de veículos roubados ou furtados e suspeitos para abordagem policial nessas cidades. O sistema é 100% automatizado e dispensa a presença de operadores.
O presidente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas (CD-RMC), Fernando de Godoy (PTB), que também é prefeito de Holambra, afirmou que uma das prioridades de sua gestão frente ao Conselho será a segurança. Ele pretende ampliar o Sistema de Videomonitoramento para toda a região. “Já são seis cidades integradas no Videomonitoramento e a maioria dos municípios estão em fase de fazer a licitação. Existe um estudo da Agemcamp para comprar o software, com um aporte de 4 milhões para ampliar o Videomonitoramento. Não tenho dúvida que esse projeto quando estiver totalmente implantado vai coibir muito a criminalidade na RMC”, projeta Godoy, ao assumir a presidência do CD-RMC no último dia 18.

Sensação de impunidade
A crescente criminalidade amplia a sensação de impunidade em moradores da região que foram vítimas de furtos e roubos. O corretor de imóveis Maurício Queiroz, de 65 anos, sofreu um assalto há cerca de um mês, quando mostrava um barracão para um cliente no Parque Via Norte, em Campinas. O bandido apontou uma arma para ele e seu cliente e além do carro levou vários objetos de valor, como celular, carteira e aliança.
“Entrou um rapaz ruivo no barracão e pensei que fosse um cliente, mas ele levantou a camiseta, mostrou um revólver calibre 38 e anunciou o assalto. Pediu a chave do carro do meu cliente e objetos. O carro foi achado duas semanas depois em Araraquara todo riscado. Acredito que tenha sido usado para roubos”, narra Queiroz.
O corretor de imóveis critica as políticas públicas de segurança, que, segundo ele, deixam o cidadão desprotegido e favorecem aos bandidos, na medida que a legislação não pune severamente os criminosos. “Foi a primeira vez que isso aconteceu e espero que seja a última. A gente paga impostos e fica preso, enquanto o bandido anda normalmente. O governo protege o bandido e desprotege o cidadão”, critica.
Em janeiro, o aposentado R.A.P., de 61 anos, teve um pouco mais de sorte. Morador de Paulínia, ele teve sua casa invadida por dois criminosos. A Guarda Municipal (GM) foi acionada por uma testemunha e conseguiu prender a dupla em flagrante. Eles já haviam recolhido dinheiro, celulares, relógios e um notebook da família quando foram surpreendidos pela GM. Um dos bandidos portava uma pistola de brinquedo.
Por:Bruno Bacchetti\Grupo Rac
Sócio-proprietário do site e página Itatiba News e fotógrafo. Natural de Itatiba. Atua também na área de transportes executivos.
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Cleber Quintino

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