Campinas também reduzirá limite de velocidade em vias urbanas

A exemplo de São Paulo, que reduziu recentemente a velocidade máxima das marginais dos rios Tietê e Pinheiros, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) diminuirá a velocidade de seis importantes avenidas em até um ano. As vias Barão de Itapura, Andrade Neves, Prestes Maia, João Jorge, Amoreiras e John Boyd Dunlop passarão de 60 km/h para 50 km/h.

O mesmo já ocorreu na Avenida Heitor Penteado, no entorno da Lagoa do Taquaral, que passa por uma fase de testes.

O presidente da Emdec e secretário de Transportes, Carlos José Barreiro, afirmou que não há um cronograma estipulado para as mudanças, mas o processo será feito de maneira escalonada.

Na Capital, a redução da velocidade nas pistas expressas de 90 km/h para 70 km/h, e nas locais de 70 km/h para 50 km/h, gerou polêmica.

Motoristas alegam que a mudança foi repentina e o Ministério Público abriu um inquérito para investigar a redução.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se posicionou contra e pediu novos debates com a população.

As mudanças fazem parte do Programa de Proteção à Vida, que objetiva regulamentar em 50 km/h o limite de velocidade em praticamente todas as avenidas importantes de São Paulo.

Dois especialistas em trânsito e transporte consultados pelo Correio consideram a redução de velocidade acertada e acreditam que ela trará mais benefícios do que ônus em Campinas.

Barreiro informou que a redução é baseada no monitoramento que a Emdec faz da malha viária na cidade e elogiou as alterações em São Paulo.

“A medida em São Paulo é perfeita. A polêmica é gerada pela sensação de desconforto inicial. Mas é uma medida de segurança que precisava ser feita e deve reduzir os acidentes graves nas marginais locais a zero” .

A fase de testes implementada pela Emdec no Taquaral, denominada “operação assistida”, é consequência dos acidentes constantes na região.

Ano passado, um grupo de 200 moradores do bairro se mobilizou em um abaixo-assinado, solicitando à Emdec sinalização no entorno da Lagoa do Taquaral e na Praça Arautos da Paz.

A movimentação ocorreu após um carro em alta velocidade na Avenida Dr Heitor Penteado ter atropelado e matado o pintor Edson Alves de Sousa, de 58 anos. O motorista que dirigia o veículo seria um menor de 15 anos.

A operação já tem resultados positivos, de acordo com Barreiro. “Já temos uma redução sensacional de acidentes no local em três meses. Em todas as vias que tiveram acidentes mais frequentes, vamos tomar medidas nessa direção”.

O presidente da Emdec sustentou também que o controle eletrônico de velocidade, através dos radares, são mais efetivos e confortáveis do que as lombadas.

“Com os radares o motorista controla melhor a velocidade, não precisa reduzir de maneira brusca e desagradável como com as lombadas. O impacto dos radares no índice de acidentalidade é automático”. Segundo ele, o motorista não demora mais para chegar ao seu destino com o limite mais baixo porque é capaz de monitorar a velocidade e evitar freadas.

Entre as vias que terão a velocidade reduzida no município, a John Boyd Dunlop é a campeã em acidentes e supera em mais de duas vezes a segunda posição, com um total de 837 no ano passado. Em seguida está a Amoreiras, conhecida pelos atropelamentos, com 302 acidentes.

Na sequência, os dados apontam a Andrade Neves (161), Barão de Itapura (157), Prestes Maia (107) e João Jorge (106). A John Boyd também é a campeã em multas entre todas as vias de Campinas, com mais de 63 mil autuações em 2014.

Especialistas

O professor da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em transportes, Percival Bisca, afirmou que a redução da velocidade é importante para a segurança de motoristas e pedestres e tem impacto mínimo no tempo que o condutor leva trafegando.

Uma pesquisa utilizada pelo professor em sala de aula mostra que, em um percurso de 10 quilômetros, um motorista leva 10 minutos para chegar ao trabalho a 60 km/h e 12 minutos a 50 km/h. No entanto, quando ele vê um obstáculo a 60 km/h, o carro percorre um trajeto de 47 metros na frenagem antes de parar. Já a 50 km/h, o trajeto é de 35 metros.

“É uma diferença muito importante no caso de batidas e, principalmente, de atropelamentos”. Bisca afirmou que o processo de redução de velocidade que passa as grandes cidades brasileiras já ocorreu em municípios da Europa.

“Na Alemanha, a velocidade máxima em qualquer via dentro da cidade é de 50 km/h. Este processo em Campinas faz todo o sentido e é uma tendência mundial em locais desenvolvidos”.

Para o professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, Celso Arruda, a redução de velocidade não terá impacto para os motoristas das 7h às 19h, quando as vias têm trânsito movimentado e há radares nos semáforos.

O efeito na segurança será mais importante à noite e de madrugada, quando os condutores abusam da velocidade. “Todas as recomendações de órgãos e entidades ligadas à segurança no trânsito é de redução de velocidade nas grandes cidades” , completou.

Motoristas são contra e pedestres se mostram a favor

Como em São Paulo, a notícia da redução da velocidade de seis das principais avenidas de Campinas dividiu motoristas e pedestres. Enquanto os condutores alegam que a mudança irá piorar o trânsito, quem anda a pé acredita que a redução pode diminuir os índices de acidentes fatais. Na Avenida João Jorge, onde atropelamentos nos corredores de ônibus são comuns, os pedestres consideram a medida da Emdec um acerto.

“Quando menor a velocidade, menor os riscos de acidente”, disse o monitor Renato Oliveira, de 26 anos, que costuma caminhar no corredor Prestes Maia – João Jorge. O jovem disse que já presenciou um atropelamento na região, assim como a funcionária pública Eliezer de Lima, de 34 anos.

“A João Jorge é um ponto crítico de atropelamentos, mas o pedestre também precisa colaborar. Vejo muita gente atravessando fora da faixa”. O chaveiro Éder Martins, 32 anos, trabalha na Avenida Barão de Itapura e afirmou ver muitas batidas e atropelamentos. “Os carros não respeitam a velocidade. Depois do radar, eles voam a mais de 100 km/h. Qualquer medida para evitar isso é boa.

Os motoristas têm opiniões contrárias. O analista de sistemas Gustavo Souza, de 34 anos, acredita que a redução de velocidade vai atrapalhar o trânsito.

“Vai deixar a avenida mais devagar até nos horários que não são de pico. Isso sem falar no aumento do risco de assaltos. É muito mais fácil de uma motocicleta com um bandido encostar em um carro que anda mais devagar”. O segurança Lucas Alves, de 26 anos, não vê motivo para a mudança. “Em São Paulo está todo mundo reclamando. Agora Campinas vai ficar lenta como São Paulo. Não faz sentido”

 

Por: Cecília Polycarpo

Foto: Janaína Ribeiro/ ANN

Sócio-proprietário do site e página Itatiba News e fotógrafo. Natural de Itatiba. Atua também na área de transportes executivos.
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Cleber Quintino

Sócio-proprietário do site e página Itatiba News e fotógrafo. Natural de Itatiba. Atua também na área de transportes executivos.

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