Eleições 2018: Quem é Thomas Korontai?

Começamos aqui, uma série de artigos que vai apresentar Thomas Korontai, pré-candidato a presidente do Brasil, pelo partido Federalista, em 2018. Em um bate papo na última semana, Thomas concedeu ao Itatiba News, a psicanalista e grafóloga, Adriana Ferreira, e o jornalista Darlan Monteiro, a oportunidade de conhecer de perto como funciona uma disputa presidencial. E, nada melhor do que apresentar um pré-candidato e o seu partido, é mostrar as suas origens. Então, iremos apresentar neste primeiro artigo, Miklós Korontai, pai de Thomas, um homem fantástico, que merece ser lembrado.

Miklós Korontai nasceu no dia 13 de fevereiro de 1922, em Budapeste, Hungria. Descendente de uma família, com cerca de 800 anos, numa Hungria de 1.100 anos, ele teve a primeira etapa de sua vida, com uma formação eminentemente aristocrática. A construtora da família era uma das mais importantes do País, que o levou a cursar engenharia e arquitetura, em detrimento de sua ”verdadeira vocação” – a medicina. As aspas têm um significado: Miklós é um pluridata, um homem de muitos talentos, não um daqueles que faz de tudo um pouco, mas um dos raros que faz muito, com perfeição e ainda por cima, inovação. Vejam só:

Criatividade

Korontai fez doutorado na Alemanha, em pré-fabricados e adquiriu grande experiência quando fez parte de uma equipe na Hungria, já comunista, de pesquisa e identificação de materiais para pré-fabricação no próprio local de construção, pois era necessário a rápida reconstrução do pós-guerra. Inventor com criações na construção civil – tanto em concreto e alvenaria quanto em madeira e outros materiais, ele inventou uma forma de pré-fabricar paredes de alvenaria de tijolos, cujos painéis permitem a construção de uma casa de 100 m² muito mais resistente do que qualquer outra, em apenas um dia. Entre os diversos sistemas construtivos, destaca-se a madeira, onde fez história no Brasil e no exterior, produzindo como diretor da maior fabricante de casas pré-fabricadas no segmento de todo o País (1977-1980), casas de médio e de alto padrão. Construiu em diversos países, como nas Ilhas Malvinas, antes da guerra com a Inglaterra, casas dentro dos moldes vitorianos. Ao todo, construiu-se mais de 700 obras neste período.

Korontai inventou também a consagrada régua paralela, utilizada em desenho arquitetônico até hoje, assim como um novo tipo de luminária, modelos de mesas de desenho, cadeiras para projetistas – reguláveis na sua altura sem nenhum parafuso, mola, rosca ou qualquer outro dispositivo. Embrenhou-se ainda na mecânica, muitas vezes ao inventar máquinas apropriadas para otimização produtiva no ramo da madeira – móveis e casas pré-fabricadas. Tais máquinas suprimiam, por vezes, duas ou três etapas, no fluxo industrial. Mas na mecânica de automóveis, também se aventurou inventando um carburador no qual poderia se utilizar qualquer óleo para substituir a gasolina em motores a explosão para automóveis, sem modificações substanciais nos mesmos. Porém, não chegou a ser aproveitado, pois faltaram recursos e apoio.

Ainda na construção civil, Korontai desenvolveu produtos químicos, estudados em seu laboratório residencial nos anos 70, em São José dos Pinhais (PR), obtendo uma liga em concreto que permitia a utilização de caliça ou areia do mar para confecção de paredes de alvenaria através de formas. Aliás, foi o primeiro a usar o processo de construção através de formas para concreto. Uma vez retiradas as paredes já com as aberturas, estavam prontas e curadas, ou seja, já se podia cobrir a casa. O concreto ficou com extrema resistência. A partir daí, várias casas foram construídas no início dos anos 70, em São José dos Pinhais (PR).

Korontai chamou técnicos e políticos ligados ao recém fundado Banco Nacional da Habitação (BNH), para mostrar como se poderia utilizar essa tecnologia na construção de milhares de casas, considerando o déficit habitacional que já era grande na época. Chamado de comunista, por propor casas de um mesmo padrão para grandes conjuntos populares, como forma de redução de custos, logo se viu através das Cohabs, que ele não estava errado. Anos depois, construtores locais alugaram por alguns milhões de dólares, formas similares dos EUA e Canadá após serem desprezadas.

Korontai estava sempre à frente de seu tempo. Ainda em 67, inventou um dispositivo eletrônico muito simples que promovia a comutação automática da altura dos faróis de automóveis para evitar a famosa luz alta que tantos acidentes provocaram. No trânsito, inventou um semáforo automático que funcionava com a aproximação dos veículos, provido de espelhos, dando enorme segurança, especialmente em esquinas com pouca visibilidade. O projeto chegou a ser analisado pelo Detran, mas assim como de tantos outros inventores geniais no Brasil, ficou na gaveta.

Korontai inventava e projetava móveis também, tanto no aspecto funcional quanto no design, como ainda, no método de produção e construção. Foi o primeiro a introduzir conceitos de móveis desmontados de forma que coubessem em pequenas caixas, objetivando a exportação. Os parafusos de madeira para laterais de sofás e poltronas, por exemplo, foram um tremendo sucesso na época e são usados até hoje. Trabalhou nesse sentido em uma grande indústria de estofados, a maior do País na época, criando cerca de 80% de todas as linhas. Ele desenhava as peças e pessoalmente ia para as máquinas ver como funcionava a produtividade, criando todo o fluxo industrial até o empacotamento. Aliás, ele desenvolvia equipamentos movidos a ar que empacotavam os conjuntos completa e rapidamente.

Em 56, na Áustria, durante o curto período em que esteve antes de vir para o Brasil, após ter conseguido sair da Hungria dominada pelos soviéticos, trabalhou em uma grande fábrica de brinquedos, uma das maiores do mundo na época, onde criou e desenvolveu muitos brinquedos. Teve mais de 20 invenções, métodos e processos pedidos como patente, sem contar os que não encaminhou. Até um luminoso com efeito eletrônico, mas totalmente mecânico ele inventou – desenvolveu vários protótipos (1971-1975), objetivando licenciar ou mesmo produzir. Porém, não prosseguiu por falta de apoio. Ele também era decorador e arquiteto de interiores. Projetava e desenhava tudo, compondo os ambientes de acordo com a exigência do cliente, seja residencial ou comercial.

Na arte

Esse húngaro extraordinário ainda pintava, não quadros para serem expostos, mas as casas e obras arquitetônicas que criava e desenhava, tanto em lápis coloridos, como em aquarelas. Korontai tinha uma habilidade enorme com o lápis e ensinou muitos arquitetos recém-formados que trabalharam com ele, assim como, projetistas práticos cujo talento, ele identificava através de pequenos testes descompromissados. Ele desenvolvia maquetes tanto profissionais, como para seu próprio deleite, sendo um apaixonado por ferromodelismo.

Na cozinha

Excelente cozinheiro, conhecedor de mais de 300 tipos de pratos internacionais diferentes, confeiteiro (com maravilhosas tortas e doces diferentes), Korontai foi proprietário de restaurantes como o Hungária, em Blumenau (SC), em 1963, e o Riviéra, em Balneário Camboriú (SC), em 1964. Criador de pratos maravilhosos a ponto de serem fotografados por turistas, lançou em 1970, o primeiro buffet no sul do Brasil, o Buffet Pionner, na Galeria Andrade, em Curitiba (PR), criando um impacto na clientela conservadora, reduzindo custos e propondo o ainda desconhecido conceito de ”fast food”.

Na música

Korontai compôs letras e melodias – duas das letras estão presentes neste singelo livro FRAGMENTOS DE UMA VIDA – gravadas em CD, de apresentações antigas, originais e remasterizadas, que estarão disponíveis, em site. Tocava piano com grande habilidade e cantava, com excelente voz de barítono. Com o passar dos anos, com os dedos cansados pela idade, ainda dedilhava o teclado eletrônico, em sua casa.

Diversos

Korontai teve que enfrentar duas guerras: a 2ª Guerra Mundial, onde atuou na frente russa, sendo ferido por dois tiros em duas ocasiões diferentes e na Revolução Húngara contra a dominação soviética, onde perdeu todas as propriedades da família, pois tudo passou a ser ”do Estado, do povo”, como era o estatuto comunista. Acabou sendo preso e torturado algumas vezes pelo sistema e só não foi morto ou deportado, por não ter sido provado nada quanto às suas práticas de espionagem. Com o advento da Revolução e sua derrocada, com a entrada de dois mil tanques soviéticos, em Budapeste, Hungria, ele precisou fugir do País, em 1956, encontrando-se com a esposa, Madalena, com a qual viveu 16 anos, na Áustria, cuja fuga também tinha sido negociada com uma rede que tinha se especializado nisso.

Quando conta suas histórias, Korontai narra coisas extraordinárias, dignas de um grande filme. Ao chegar no Brasil, no início de 1957, como exilado político e recomendado como anti-comunista pelos americanos, que o tinham convidado para ir aos EUA, ele ficou receoso de ser instado a se incorporar à CIA, face às suas credenciais, tanto pela demonstração anti-comunista e de ter participado ativamente da 2ª Guerra Mundial, como também, pelos atributos físicos, pois tinha sido campeão universitário da Hungria, em luta greco-romana.

Em São Paulo (SP), atuou como engenheiro contratado por uma grande construtora de compatriotas, mas trabalhou terceirizadamente para a antiga fábrica de brinquedos Trol, pintado, com aerógrafo, pequenas bonecas. Chegou a ter uma equipe e em menos de dois anos, já tinha seu próprio automóvel, um Skoda. Nada mal para quem tinha começado sem conhecer nada do idioma, com US$ 100 dados pela imigração, e com um filho recém-nascido e outro que nasceu, em 1959.

Convidado por uma construtora americana, ele partiu com a família para Candói (PR), para participar de uma equipe que construía uma represa e instalações de uma fábrica de papel e celulose. No início dos anos 60, só se chegava lá através de pequenos aviões. Em 63, seguiu para Blumenau (SC), montando o restaurante Hungária. Já em 64, em Balneário Camboriú (SC), após ser roubado pelo sócio no restaurante Riviéra, deixando-o sem capital financeiro para prosseguir, criou então o primeiro cinema, o Cine Vera, onde ele mesmo rodava os filmes enquanto a esposa ficava na bilheteria. Depois, em 66, acabou trocando o cinema por uma fábrica de móveis, em Curitiba (PR), com a qual operou até o final de 1969.

Korontai tinha se especializado com essas experiências na condução de empresas, especialmente na indústria, onde atuou como diretor industrial, por mais de 20 anos, em três Estados do sul do Brasil. Era conhecido como ”arrumador de empresas”, pois ao chegar, reorganizava toda a sua produção, criava e desenvolvia máquinas, equipamentos próprios, métodos de produção e até na visão de mercado e target, para o qual a empresa deveria se orientar. Bastavam alguns meses para uma total renovação, quase que um processo de reengenharia, embora o termo não existisse na época. Além disso, se tornou empresário obtendo sua própria construtora, mas o período era muito difícil para quem não tinha capital financeiro para aguentar.

Korontai teve influência muito grande na vida de centenas, talvez milhares de pessoas, durante os anos em que atuou, de forma totalmente gratuita, como espírita, especialmente, em Caxias do Sul (RS). No atendimento médico, ele não contou, mas o fato de receitar medicamentos que às vezes não tinham sido lançados no Brasil ainda, era mais um fato marcante. Ministrou palestras sobre espiritismo, com enfoque mais científico possível para evitar fanatismos e ajudar a identificar o que ele chamava de ”mistificação”, ou seja, pessoas que eram acometidas por transes de ordem psicológica, em nada se relacionando à energia.

Thomas Korontai conclui o bate papo dizendo que muito mais poderia se contar do que ele sabe sobre as realizações e a história de vida de seu pai, que faleceu com 83 anos, mas ele crê que isso deva ficar para um livro, quem sabe, futuramente. Esse resumo já evidencia quem foi esse húngaro vigoroso, muitas vezes incompreendido em um País de linguagem cultural e comportamental diferente da rigidez européia, do ”tudo certinho”, mas com certeza, como nada ocorre por acaso, o País certo para o qual o destino o enviou para dar a sua parcela – importante parcela – de contribuição no seu desenvolvimento.

Jornalista (MTB/SP 81.201), assessor de imprensa, fotógrafo e analista da qualidade.

Natural do município do Rio de Janeiro (RJ), e residente no município de Itatiba (SP). Torcedor apaixonado pelo Clube de Regatas do Flamengo (RJ), católico e devoto de Nossa Senhora Aparecida.

Críticas, denúncias, elogios, reclamações, interesse em divulgar sua empresa, serviço ou produto, basta entrar em contato pelo e-mail: darlancmjornalista@gmail.com

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Darlan Monteiro

Jornalista (MTB/SP 81.201), assessor de imprensa, fotógrafo e analista da qualidade. Natural do município do Rio de Janeiro (RJ), e residente no município de Itatiba (SP). Torcedor apaixonado pelo Clube de Regatas do Flamengo (RJ), católico e devoto de Nossa Senhora Aparecida. Críticas, denúncias, elogios, reclamações, interesse em divulgar sua empresa, serviço ou produto, basta entrar em contato pelo e-mail: darlancmjornalista@gmail.com

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