Perdas com swaps passam de R$ 70 bi e não impedem disparada do dólar

O Banco Central (BC) registrou prejuízo de cerca de R$ 71,93 bilhões com os contratos de “swap cambial” – instrumentos que equivalem à venda futura de dólares – de janeiro até a última sexta-feira (28), segundo números divulgados pela própria autoridade monetária nesta quarta-feira (2).

Até o final de julho, o prejuízo acumulado com os swaps estava em R$ 57 bilhões.

Em agosto, na parcial até a última sexta-feira (28), as perdas somaram R$ 14,89 bilhões.

Apesar dos prejuízos gerados pelas intervenções no câmbio, o BC não impediu uma alta do dólar, que, no fim do ano passado, estava em R$ 2,65. Na última sexta-feira, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 3,58. Com isso, registrou um aumento de quase 35% neste período. De forma geral, o BC lucra com estas operações quando o dólar cai e perde quando a cotação da moeda norte-americana sobe.
Nesta quarta, o dolar chegou a bater R$ 3,75. Às 12h51, a moeda norte-americana subia 1,32%, a R$ 3,7365 para venda.

Valorização das reservas
O BC tem destacado que, se por um lado há perdas com os contratos de swap cambial, por outro também há valorização das reservas internacionais brasileiras (atualmente em US$ 370 bilhões) superior a R$ 150 bilhões (valor líquido de custo) neste ano. Esse valor, de acordo com o BC, supera as perdas com os swaps cambiais.

Mesmo sendo um diferencial para a economia brasileira, em um momento de crise internacional e também interna, as reservas também têm o chamado “custo de captação” e carregamento – valor pago pelo governo para retirar recursos do mercado por meio da emissão de títulos públicos do mercado (operações compromissadas). Estes valores foram injetados pelo próprio BC na economia ao comprar dólares para as reservas, e, por terem juros próximos à Selic (atualmente em 14,25% ao ano), têm um custo muito maior do que os juros externos. O custo de captação superou R$ 80 bilhões no primeiro semestre.

Ainda de acordo com o BC, a valorização das reservas, entretanto, não tem impacto no chamado superávit primário (economia para pagar juros da dívida pública), assim como não tem efeito no déficit nominal do setor público, mas incorporam o balanço do Banco Central. Os valores são exclusivamente utilizados para abater a dívida pública.

Para que servem os contratos de swap?
Os swaps cambiais, cujo estoque está próximo de R$ 370 bilhões (patamar do fim de julho), são contratos para troca de riscos. O Banco Central oferece um contrato de venda de dólares, com data de encerramento definida, mas não entrega a moeda norte-americana.

No vencimento deles, o investidor se compromete a pagar uma taxa de juros sobre o valor dos contratos e recebe do BC a variação do dólar no mesmo período.

Segundo o BC, os contratos de “swap cambial”, que voltaram a ser emitidos em junho de 2013, quando a moeda norte-americana se aproximava de R$ 2,40, visam dar proteção para os agentes (“hedge”) que têm dívida em moeda estrangeira e fornecer liquidez para o mercado – evitando também uma volatilidade maior (forte sobe e desce) das cotações no mercado à vista.

Entretanto, analistas observam que, com estas operações, o BC também busca conter uma disparada da moeda norte-americana, o que dificultaria mais o controle da inflação, pois os produtos e insumos importados ficariam mais caros no Brasil. Mesmo com estas operações, o dólar fechou o mês de agosto a R$ 3,62.

BC aumenta intervenção em agosto
Desde o fim de março, o BC estava apenas rolando os vencimentos. Com isso, deixou de fazer emissões líquidas deste instrumento.

Em agosto, o BC anunciou, porém, um aumento na oferta de contratos de swap cambial tradicional em leilão para rolagem do lote que vence em 1º de setembro, sinalizando aumento da intervenção no mercado de câmbio, em meio à acentuada alta da moeda norte-americana ante o real.

Impacto nos indicadores fiscais
Os prejuízos da autoridade monetária com os contratos de “swaps cambiais” são incorporados às despesas com juros da dívida pública e ajudam a impulsionar o déficit nominal – que atingiu quase 9% do PIB em doze meses até julho, o maior patamar da série histórica, que começa em novembro de 2002. Também ajudam a impulsionar a dívida do setor público.

No caso da dívida bruta do setor público, uma das principais formas de comparação internacional (que não considera os ativos dos países, como as reservas cambiais) – conceito também acompanhado pelas agências de classificação de risco – o endividamento brasileiro subiu em julho.

No fim do mês passado, estava em 64,6% do PIB (R$ 3,68 trilhões) – também o pior resultado da história. Alguns bancos já projetam a dívida bruta em 70% do PIB nos próximos anos.

Selo de país bom pagador
Estes indicadores são avaliados pelas agências de classificação de risco, juntamente com outros índices, ao conceder notas para os países.

A equipe econômica trabalha para que a nota brasileira, concedida pelas agências de classificação de risco, permaneça no chamado “grau de investimento” – que é um tipo de recomendação para investimento.

Perdendo essa nota, as regras de vários fundos de pensão de outros países impediriam o investimento no Brasil, o que dificultaria a capacidade de o país, e das empresas do setor privado brasileiro, buscarem recursos no exterior – aumentando subsequentemente os juros destas operações.

Via G1 – Link: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/perdas-com-swaps-passam-de-r-70-bi-e-nao-impedem-disparada-do-dolar.html

Técnico em Informática, Bacharel em Ciência da Computação. Natural de Itatiba/SP.

Email: brunomezzalira@itatibanews.com

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Bruno Mezzalira

Técnico em Informática, Bacharel em Ciência da Computação. Natural de Itatiba/SP. Email: brunomezzalira@itatibanews.com

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