A política que incomoda por Everson Gava | Colaborador

A atual campanha eleitoral para presidente tem me trazido um imenso incômodo. Não pelo que indicam as últimas pesquisas de intenção de votos, que apontam a presidente Dilma cada vez mais próxima da reeleição, o que me incomoda, e ás vezes me revolta, é a lógica já consolidada nas campanhas políticas brasileiras, onde as propostas dos candidatos e os debates relevantes ficam em segundo plano, escamoteados por táticas do mais baixo marketing político.

Nesse, digamos paradigma, busca-se a desqualificação, ou desconstrução num termo mais em moda, do adversário ao invés de se propor ideias e projetos para o desenvolvimento do país. É uma lógica um tanto medíocre onde a ideia é apontar os defeitos dos outros candidatos para conseguir votos sendo o “menos pior”.

Veja o caso da candidata Marina Silva. Tida há pouco com a grande sensação da corrida eleitoral, cometeu o “grande erro” de, vejam só, divulgar seu plano de governo antecipadamente. Ao fazer isso este documento passou pelo escrutínio de milhares de correligionários adversários, na busca por mínimos erros e pontos eventualmente polêmicos para que, na sequência, estes pontos fossem “traduzidos” para a sociedade como sinais de fraqueza do opositor, ou como ameaça à felicidade do povo.

A questão da autonomia do Banco Central, proposta por Marina, é bastante ilustrativa. Esse é um ponto que, dada a situação econômica atual, o próximo presidente terá de lidar, queira ou não.

No entanto ao invés de abrir a discussão sobre o tema de uma perspectiva diferente, sobretudo a campanha da atual presidente transformou esta proposta, que a meu ver é correta, no maior flagelo a ser enfrentado pela população na hipótese da vitória de Marina.

A estratégia de “marketing” é simples: pegue um tema que o popular médio não compreende totalmente e transforme isso ( ao custo de muita mídia) numa grande ameaça ao seu bem-estar. Pronto, voto ganho!

Muito se tem falado, em jornais e pesquisas, sobre a vontade de mudança, na política e na economia, que predomina na sociedade brasileira. Mas vale a pena perguntar: que mudanças podem vir se não há espaço para discussão de novas propostas e novas ideias?

Outro ponto deplorável é a manipulação de toda sorte de dados em benefício próprio. Alguns candidatos fazem isso, mas vejo esse artifício usado excessivamente pela campanha de Dilma. Vejam o caso do número crescente de casos de corrupção na política e em empresas estatais sob a gestão Lula-Dilma.

Na versão da presidente (e de seu marqueteiro) esse crescimento  deve-se  ao fato de a gestão atual ter  “autorizado”  e possibilitado as condições necessárias para que os órgãos responsáveis (principalmente a Polícia Federal) pudessem desempenhar suas funções no combate a casos desse tipo.

Eu pergunto: Mas essa não seria uma obrigação do Presidente da República?

É mais ou menos como se eu me vangloriasse de ter matriculado meu filho de seis anos no primeiro ano do ensino Fundamental. Não há o que se gabar, apenas fiz minha obrigação!

Mentiras e meias-verdades como estratégia me fazem lembrar Joseph Goebbels, o “marqueteiro” de Hitler, para quem uma mentira repetida mil vezes se torna verdade.

O fato é que este tipo de “estratégia” de marketing político acaba dando resultado, como estamos vendo hoje pelas pesquisas de intenção de votos, e perigosamente se tornam um padrão a ser seguido nas campanhas eleitorais, deixando poucas perspectivas para a elevação do nível da política no país e um permanente incômodo para os brasileiros que valorizam a ética e o respeito à sociedade.

 

Everson Gava, economista e eleitor

 

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